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Um
Dramaturgo nas Encruzilhadas
Ésquilo e o Teatro Grego
O Festival de Teatro de Atenas
e suas Convenções
As Primeiras Tragédias
e a Arte Dramática e Ésquilo
Uma Divina Comédia:
A Trilogia de Prometeu
Tragédia Humana - Édipo
e Agamemnon
Ésquilo
Um
Dramaturgo nas Encruzilhadas
No
ano de 525 a C.., Cambises invadiu o Egito e Ésquilo nasceu. Cada
gênio revela um padrão de comportamento. O de Ésquilo foi de estar sempre
colocado entre dois mundos ou princípios.
Dez anos antes que Ésquilo, fizesse sua estréia como dramaturgo encenando,
em 490, estava na planície de Maratona com o grupo de atenienses que repeliu
as hostes do maior império do seu tempo. Aos trinta e cinco anos era herói
nacional.
Dez anos mais tarde a população de Atenas foi obrigada a abandonar a cidade
que foi completamente destruída pelo invasor.
A civilização helênica foi salva pela momentosa batalha naval de Salamina.
Ésquilo celebrou a vitória sobre os persas escrevendo, oito anos depois,
Os Persas.
O sopro épico de suas peças, seu diálogo exaltado, e suas situações, de
titânica paixão, pertencem a uma idade heróica.
Há, em sua obra, um
sentido de resoluto otimismo: o princípio certo sempre vence em seus conflitos
filosóficos e éticos.
No entanto, tão logo os persas haviam sido derrotados, a Grécia começou
a se encaminhar para uma nova crise. Sua cidade-Estado torna-se um império
e a luta pela hegemonia começa a ocupar o poeta que escreve o seu primeiro
drama preservado, As suplicantes.
Ésquilo, filho de uma antiga família estava ao lado da nobreza não deixou
de externar sua oposição à nova ordem, sabemos que falou desdenhosamente
de jovem poder e governantes adventícios em Prometeu Acorrentado, e acreditava-se
que o fato de ter perdido o prêmio de um concurso para seu rival mais
jovem, Sófocles, em 468, entrava na esfera de uma repercussão política.
A instauração da nova ordem atingiu até o Areópago (O supremo tribunal
de Atenas) despojando-o de muitas das suas prerrogativas mais importantes.
Ésquilo usou a tragédia de Orestes, em As Eumênides, para apoiar a instituição
vacilante.
Mas é na sua abordagem à religião e à ética que mais afetou a qualidade
e significado de suas tragédias. E novamente o encontramos postado entre
dois mundos, pois Ésquilo é ao mesmo tempo um místico oriental ou profeta
hebreu e um filósofo helênico
Embora apresente marcadas semelhanças com os últimos profetas de Israel,
sua concepção de divindade é composta pelo racionalismo helênico. Ésquilo
dispensou o politeísmo de seu tempo em favor do monoteísmo.
Investigando o problema do sofrimento humano em sua última trilogia, Ésquilo
chega à conclusão de que é o mal no homem e não a inveja dos deuses que
destrói a felicidade. A razão correta e a boa vontade são os pilares do
primeiro sistema moral que encontra expressão no teatro.
Foi na feição profundamente religiosa de seu pensamento que diferiu dos
contemporâneos mais jovens. Uma ponte lançada entre a religião primitiva
e a filosofia posterior. (ao topo)
Ésquilo e o Teatro Grego
Ésquilo
sustentava corretamente que suas tragédias eram apenas fatias do banquete
de Homero. Com efeito a maioria das tragédias possui as qualidades homéricas
no ímpeto de suas passagens narrativas e na estatura heróica dos caracteres.
Mesmo com os processos introduzidos por Téspis, as peças ainda não eram
mais que oratórios animados, fortemente influenciados pela poesia mélica
que exigia acompanhamento instrumental e pela poesia coral suplementada
por expressivos movimentos de dança.
O teatro físico também se apresentava rudimentar e o palco tal como o
conhecemos era praticamente inexistente.
Novamente no ponto em que os caminhos se dividem Ésquilo precisava escolher
entre o quase ritual e o teatro, entre o coro e o drama. Mesmo tendo acentuada
predileção pelo coro e pelas danças, Ésquilo trabalhou para aumentar as
partes representadas: os "episódios" que, originariamente mereceram partes
do drama mas simplesmente apêndices do mesmo. Um outro grande passo na
evolução da tragédia foi a introdução do segundo ator.
É útil lembrar que
as atores "multiplicavam-se" com o uso de máscaras além que efeitos de
multidões podiam ser criados com o uso de participantes "mudos" ou do
coro.
Ésquilo cuidava das danças, treinava os próprios coros, utilizava-se de
recursos como as pausas demostrando se excelente diretor e encenador,
fazendo amplo uso de efeitos que atingiram um nível extremamente elevado
considerando-se os escassos recursos técnicos da época.
Destaque merece o
fato de Ésquilo criar os figurinos estabelecendo, para eles, caracteres
fundamentais. Fiz de seus atores figuras mais impressionantes utilizando
máscaras expressivamente pintadas e aperfeiçoando o uso do sapato de altas
solas o coturno.
Chegar a introdução, mesmo que rudimental, de uma cenografia foi um passo
que um gênio tão versátil deu com facilidade. A decoração do palco, ou
seja a construção cênica tornou-se permanente junto a utilização de máquinas
que conseguiram obtendo bons efeitos cênicos. (ao topo)
O
Festival de Teatro de Atenas e suas Convenções.
Tudo
começou quando Pisístrato transferiu o antigo e rústico festival dionisíaco
dos frutos para Atenas criando as Dionisias Urbanas. Outro festival mais
antigo (Lenianas) também começou a incluir tanto concursos trágicos quanto
cômicos.
As Dionisias Urbanas Começavam com vários rituais religiosos (Procissões
cultos ) até entrar na fase mais ligada propriamente ao teatro e ao concursos.
Dois dias eram reservados para as provas ditirâmbicas, um dia ás comédias,
com cincos dramaturgos na competição; e três dias à tragédia . Seis dias
eram devotados ao grande festival; cinco após 431 a.C. – com cincos apresentações
diárias durante os últimos três dias – três tragédias e um "drama satírico"
fálico pela manhã uma ou duas comédias à tarde. Três dramaturgos competiam
pelo prêmio de tragédia, cada um com três tragédias e um drama satírico,
sendo que as peças eram mais ou menos correlatas.
As peças eram cuidadosamente selecionadas por um funcionário público ou
arconte que também escolhia o intérprete principal ou "protagonista"
Imediatamente antes
do concurso, a ordem dos concorrentes era determinada por sorteio e ao
seu término, os vencedores, julgados por uma comissão também escolhida
por sorteio, eram coroados com guirlandas de hera.
Pesadamente
paramentados, os movimentos dos atores trágicos, eram necessariamente
lentos e seus gestos amplos.
Na verdade, devido as dimensões dos teatros, ao atores eram escolhidos
por suas vozes. Os bons atores eram tão procurados que logo começaram
exigir salários enormes e, quando o talento dramatúrgico se tornara escasso,
a interpretação assumiu importância ainda maior que o próprio drama.
Tal
como os atores, o coro apresentava-se com variados figurinos e usava máscaras
apropriadas á idade, sexo e personalidade das personagens representadas.
O coro também não cantava durante todo o tempo, pois algumas vezes usava
a fala recitativa e até mesmo coloquial ao dirigir-se aos atores.
O uso do coro no teatro grego tinha por certo suas desvantagens, pois
ralentava e interrompia as partes dramáticas da peça. Mas enriquecia as
qualidades espetaculares do palco grego o que levou escritores a comparar
a tragédia clássica com a ópera moderna. (ao topo)
As
Primeiras Tragédias e a Arte Dramática de Ésquilo
As
verdadeiras encenações do teatro ateniense estão irremediavelmente perdidas.
Do trabalho de todos os dramaturgos que ganharam os prêmios anuais sobreviveram
apenas as peças de Ésquilo, Sófocles, Éuripides e Aristófanes, e mesmo
assim por apenas uma fração das suas obras.
Contudo, no caso de Ésquilo, as tragédias remanescentes estão bem distribuídas
ao longo de toda a carreira e lançam luz suficiente sobre a evolução de
seu estilo e pensamento.
Ésquilo é um mestre do pinturesco. Suas personagens são criaturas coloridas,
muitas delas sobrenaturais, orientais ou bárbaras, e suas falas são abundantes
em metáforas.
Sue progresso na arte deve Ter sido extraordinariamente gradual, uma vez
que as primeiras peças revelam grande preponderância de intervenções corais
e apenas os últimos trabalhos mostram-se bem aquinhoados em ação dramática.
Seu primeiro trabalho remanescente, As Suplicantes, provavelmente a primeira
peça de uma trilogia, ainda o mostra lutando com o drama coral.
Há maior interesse quanto ao segundo drama remanescente: Os Persas, escrito
em 472 a. C. trata de um fato prático contemporâneo, e foi obviamente
cunhada para despertar o fervor patriótico. (ao topo)
Uma
Divina Comédia: A Trilogia de Prometeu
O
tema do Prometeu Acorrentado e das peças perdidas que o acompanhavam era
Deus em pessoa. Trabalho inesquecível, transbordante de beleza e reflexão
e transfigurado por essa personalidade supremamente inspiradora, Prometeu,
rebelde contra Deus e amigo do homem. Sua tragédia é o protótipo de uma
longa série de dramas sobre o liberalismo.
O tema da trilogia parece ser a evolução de Deus em cumprimento da lei
da necessidade. De um tirano jovem e voluntarioso Zeus converte-se em
governante maduro e clemente, tão diverso do Zeus da Ilíada quanto o Jeová
de Isaías. (ao topo)
Tragédia Humana - Édipo e Agamemnon
Após
estabelecer uma providência moral no universo, só restava a Ésquilo fazer
com que a vontade desta prevalecesse entre os homens. Na primeira delas,
uma tragédia de Édipo, Ésquilo recusou as explicações pré-fabricadas e
foi além da convencional teoria grega da maldição familiar.
Nos Os Sete Contra Tebas deixa perfeitamente claro que a hereditariedade
é pouco mais que uma predisposição. Os crimes cometidos pelos descendentes
do corrupto Laio são resultado da ambição, rivalidade e insuficiente predomínio
da lei moral durante a idade legendária.
Ésquilo estava galgando novas intensidades em Os Sete Contra Tebas ao
voltar-se para a tragédia humana e individual. Chegou ao ápice desta escalada
nove anos depois, em sua última e maior trilogia.
A Oréstia, apresentada em 458 a C. , dois anos antes da morte do autor,
é novamente a tragédia da uma casa real.. Trata mais uma vez de uma maldição
hereditária, que teve início na vago mundo da lenda. Esta trilogia é formada
por: o Agamemnon que será vítima de Clitemnestra (Sua esposa) que assim
vinga a morte arbitrária da própria filha.
Nas Coéforas, segunda
tragédia da trilogia, o filho de Agamemnon, Orestes encontra-se em curioso
dilema: em obediência à primitiva lei da vendeta deveria matar os assassinos
de seu pai mas a conseqüência deste ato o tornaria um matricida. Depois
do assassínio as Fúrias enlouquecem Orestes.
Em As Coéforas, Ésquilo reduz a lie da vendeta um absurdo, posto que,
seguida logicamente, leva a um ato ainda mais intolerável do que o assassinato
original.
Na parte final da trilogia, As Eumênides, a vendeta é finalmente anulada.
Após diversos anos, Orestes finalmente expiou seu feito através do sofrimento
e agora está pronto para enfrentar as Fúrias em julgamento aberto, anta
o Areópago. Embora a votação empate este é quebrado em favor de Orestes
quando Atená lança o seu voto pela absolvição. Significativamente é a
deusa da razão que põe fim à cega e autoperpetuadora lei da retribuição.
Dois anos após a promulgação desse credo, Ésquilo estava morto.
Ésquilo transformara o ritual em drama, trouxera a personalidade humana
para o teatro e incluíra a visão espiritual no drama. (ao
topo)
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