|
|
Teatro
Brasileiro - 1ª Parte
Escolas de Teatro
Serviço Nacional de
Teatro
Preocupação
com a Temática Social no Teatro
A Contestação
no Teatro
Censura
Novas Propostas
Novos Autores
Novos Diretores
Teatro
Brasileiro - 2ª Parte
Escolas
de Teatro
Em
1938, Pascoal Carlos Magno cria, no Rio de Janeiro, o Teatro do
Estudante, primeiro grupo sério de teatro amador. Como ''Hamle''t, é lançado
Sérgio Cardoso, que, mais tarde, será a primeira estrela do palco
a tornar-se um popular ator de telenovelas.
Em 1948, Alfredo Mesquita funda em São Paulo a Escola de Arte Dramática
(EAD).
Ainda em 1948, com ''O casaco encantado'', Lúcia Benedetti lança
as bases do teatro infantil interpretado por adultos; sua seguidora mais
importante é Maria Clara Machado ''Pluft, o fantasminha'', ''O
rapto das cebolinhas'', que, na década de 50, cria o Tablado, importante
centro de formação de atores ainda em atividade. (ao
topo)
Serviço
Nacional de Teatro
Fundado
no fim dos anos 40, patrocina a criação de grupos experimentais e a montagem
de novos textos brasileiros, como ''A raposa e as uvas'', de Guilherme
de Figueiredo, aclamado no exterior.
Novos representantes do teatro de costumes são Pedro Bloch ''As
mãos de Eurídice'' e o humorista Millôr Fernandes ''Do tamanho
de um defunto''. (ao topo)
Preocupação
com a Temática Social no Teatro
Na
década de 50 os textos teatrais são marcados pela preocupação com as questões
sociais. ''O Pagador de promessas'', de Dias Gomes - também autor
de telenovelas -, se transforma num grande sucesso e é adaptada para o
cinema em 1962 por Anselmo Duarte. O filme ganha a Palma de Ouro em Cannes.
Nelson Rodrigues, que firmara sua reputação com ''O anjo negro'',
''Álbum de família'' e ''A falecida'', desperta polêmica com ''Perdoa-me
por me traíres'', ''Beijo no asfalto'', ''Bonitinha mas ordinária'', consideradas
escandalosas.
Jorge Andrade retrata a decadência da aristocracia rural paulista
em ''A moratória'' e a ascensão das classes novas em ''Os ossos do barão''.
Fora do eixo Rio-São Paulo, Ariano Suassuna, nas comédias folclóricas
''O auto da Compadecida'' e ''O santo e a porca'', cruza o modelo renascentista
das peças de Gil Vicente com a temática folclórica nordestina.
Jorge Andrade (1922-1984) nasce em Barretos, interior de São Paulo. Começa
a carreira de dramaturgo, incentivado pela atriz Cacilda Becker.
Na década de 50 escreve peças dramáticas e nos anos 60 estréia as comédias
''A escada'' e ''Os osso do barão'', ambas transformadas em novelas de
televisão. Para a TV escreve também as novelas ''O grito'' e ''As gaivotas''.
Ao lado de Nelson Rodrigues, é o dono da obra teatral mais significativa
do Brasil: nela se destacam denúncias do fanatismo e da intolerância,
como ''Veredas da salvação'' ou o delicado testemunho autobiográfico de
''Rasto atrás''. (ao topo)
A
Contestação no Teatro
A
partir do final dos anos 50, a orientação do TBC, de dar prioridade a
textos estrangeiros e importar encenadores europeus, é acusada de ser
culturalmente colonizada por uma nova geração de atores e diretores que
prefere textos nacionais e montagens simples. Cresce a preocupação social,
e diversos grupos encaram o teatro como ferramenta política capaz de contribuir
para mudanças na realidade brasileira.
O Teatro de Arena, que com seu palco circular aumenta a intimidade entre
a platéia e os atores, encena novos dramaturgos - Augusto Boal
''Marido magro, mulher chata'', Gianfrancesco Guarnieri ''Eles
não usam black-tie'', Oduvaldo Vianna Filho ''Chapetuba Futebol
Clube'' - e faz musicais como ''Arena conta Zumbi'', que projeta Paulo
José e Dina Sfat.
Trabalho semelhante é o de José Celso Martinez Correa no Grupo
Oficina, também de São Paulo: além de montar ''Os pequenos burgueses'',
de Gorki, ''Galileu, Galilei'', de Brecht, e ''Andorra'',
de Max Frisch, redescobre ''O rei da vela'', escrito em 1934 por
Oswald de Andrade, mas proibido pelo Estado Novo; e cria ''Roda
viva'', do músico Chico Buarque de Holanda.
Chico havia feito a trilha sonora para ''Vida e morte severina'',
auto nordestino de Natal, de João Cabral de Melo Neto, montado
pelo Teatro da Universidade Católica de São Paulo (Tuca) e premiado no
Festival Internacional de Teatro de Nancy, na França.
Os passos do Arena, de conotações nitidamente políticas, são seguidos
pelo Grupo Opinião, do Rio de Janeiro. Seu maior sucesso é ''Se correr
o bicho pega, se ficar o bicho come'', de Oduvaldo Vianna Filho.
No final da década de 60, novo impulso à dramaturgia realista é dado por
Plínio Marcos em ''Dois perdidos numa noite suja'' e ''Navalha
na carne''. Outros autores importantes são Bráulio Pedroso ''O
fardão'' e Lauro César Muniz ''O santo milagroso''.
Gianfrancesco Guarnieri (1934- ) nasce em Milão. Participa da criação
do Teatro de Arena. ''Eles não usam black-tie'' - história de uma família
de operários durante uma greve e suas diferentes posições políticas -
é um marco do teatro de temática social. Junto com Augusto Boal monta
''Arena conta Zumbi'', onde são usadas técnicas do teatro brechtiano.
Entre suas peças destacam-se também ''Um grito parado no ar'' e ''Ponto
de partida''. Trabalha como ator de cinema (Eles não usam black-tie, Gaijin)
e de novelas.
Plinio Marcos (1935- ) nasce em Santos, filho de um bancário. Abandona
cedo a escola. Trabalha em diversas profissões - é operário, camelô, jogador
de futebol, ator. Em 1967 explode com ''Dois perdidos numa noite suja''
e ''Navalha na carne'', peças que retratam a vida dos marginais da sociedade.
Sua temática realista e linguagem agressiva chocam parte do público e
fazem com que suas peças sejam freqüentemente censuradas. Após dez anos
sem publicar, lança ''A dança final'' em 1994. Vive da venda direta de
seus livros e da leitura de tarô.
Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974) nasce em São Paulo. Filho do dramaturgo
Oduvaldo Vianna, torna-se conhecido como Vianinha. É um dos fundadores
do Teatro de Arena e do Grupo Opinião. Suas peças ''Chapetuba F.C.'',
''Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come'', ''Longa noite de cristal'',
''Papa Highirte'' e ''Rasga coração ''o transformam num dos mais importantes
dramaturgos brasileiros. ''Rasga coração'', síntese do teatro brasileiro
de seu tempo, fica censurada por cinco anos durante o regime militar e
só é montada em 1979, após sua morte. (ao topo)
Censura
Na
década de 70 a censura imposta pelo governo militar chega ao auge. Os
autores são obrigados a encontrar uma linguagem que drible os censores
e seja acessível ao espectador.
Nessa fase, surge toda uma geração de jovens dramaturgos cuja obra vai
consolidar-se ao longo das décadas de 70 e 80:
- Mário
Prata (Bésame mucho),
- Fauzi
Arap (O amor do não),
- Antônio
Bivar (Cordélia Brasil),
- Leilah
Assunção (Fala baixo senão eu grito),
- Consuelo
de Castro (Caminho de volta),
- Isabel
Câmara (As moças),
- José
Vicente (O assalto),
- Carlos
Queiroz Telles (Frei Caneca),
- Roberto
Athayde (Apareceu a margarida),
- Maria
Adelaide Amaral (De braços abertos),
- João
Ribeiro Chaves Neto (Patética),
- Flávio
Márcio (Réveillon),
- Naum
Alves de Souza (No Natal a gente vem te buscar).
Marcam
época também as montagens feitas, em São Paulo, pelo argentino Victor
García: ''Cemitério de automóveis'', de Fernando Arrabal, e
''O balcão'', de Jean Genet - nesta última, ele chega a demolir
internamente o Teatro Ruth Escobar para construir o cenário, uma imensa
espiral metálica ao longo da qual se sentam os espectadores. (ao
topo)
Novas
Propostas
A
partir do final da década de 70, aparecem grupos de criação coletiva,
irreverentemente inovadores.
- ''Trate-me
leão'', do Asdrúbal Trouxe o Trombone, aborda o inconformismo e a
falta de perspectivas da adolescência e revela a atriz Regina Casé.
- ''Salada
paulista'', do Pod Minoga também calca seu humor nos problemas do
cotidiano.
- Já
''Na carreira do divino'', de Alberto Soffredini, baseia-se
numa pesquisa do grupo Pessoal do Vítor sobre a desestruturação do
mundo caipira.
- Antunes
Filho é aplaudido por sua adaptação de ''Macunaíma'', de Mário
de Andrade, e Nelson Rodrigues, ''O eterno retorno''.
- Luiz
Alberto de Abreu ''Bella ciao'', Flávio de Souza ''Fica
comigo esta noite'' e Alcides Nogueira ''Lua de Cetim'' e ''Opera
Joyce'' destacam-se entre os autores.
- O
Ornitorrinco, de Cacá Rosset e Luís Roberto Galizia,
inaugura, com ''Os párias'', de Strindberg, e um recital das
canções de Kurt Weil e Brecht, uma fórmula underground original.
- Os
espetáculos posteriores de Rosset, o ''Ubu'', de Alfred
Jarry, o polêmico ''Teledeum'', do catalão Albert Boadella,
''Sonhos de uma noite de verão'' e ''Comédia dos erros'', de Shakespeare,
são comercialmente bem-sucedidos.
Antunes
Filho (1929- ) começa a trabalhar com teatro dirigindo um grupo de estudantes.
Na década de 50 trabalha como assistente de direção no TBC. No final dos
anos 70 rompe com o teatro mais comercial em sua montagem de Macunaíma,
de Mário de Andrade, um dos marcos do teatro brasileiro. Com Nelson
Rodrigues, o eterno retorno, montagem que engloba as peças Toda nudez
será castigada, Os sete gatinhos, Beijo no asfalto e Álbum de família,
traz à tona a discussão sobre a obra de Nelson Rodrigues. No Centro
de Pesquisas Teatrais, pesquisa um modo brasileiro de fazer teatro.
Tendências
atuais Marcada pela pluralidade de concepção teatral.
O
trabalho dos diretores torna-se mais conhecido do que o dos autores. (ao
topo)
Novos
Autores
Em
São Paulo destacam-se:
- Otávio
Frias Filho (Típico romântico, Rancor),
- Noemi
Marinho (Fulaninha e Dona Coisa, Almanaque Brasil).
- Marcos
Caruso e Jandira Martini fazem sucesso com Porca Miséria.
No
Rio de Janeiro surge o besteirol, que começa com humor e irreverência
e avança para um texto mais crítico. Os mais conhecidos dramaturgos dessa
linha são:
- Miguel
Falabella (A partilha, Como encher um biquíni selvagem, No coração
do Brasil) e
- Mauro
Rasi (Batalha de arroz num ringue para dois, Viagem a Forlí). (ao
topo)
Novos
Diretores
Controvérsia
cerca as montagens de Gerald Thomas : Carmen com filtro, Electra
e a trilogia de adaptações de Kafka. Entre os cariocas destacam-se
Moacyr Góes, com A escola de bufões, e Enrique Díaz, que, aos 22 anos,
surpreende com A Bao a Qu, baseado em Jorge Luís Borges. O paulista Ulysses
Cruz, com o grupo Boi Voador, monta Velhos marinheiros e Típico romântico.
Também desponta o talento do mineiro Gabriel Villela, que faz teatro de
rua com o Grupo Galpão, de Belo Horizonte (Romeu e Julieta) e assina as
montagens de A vida é sonho, de Calderón de la Barca, e A guerra santa,
além de uma excelente A Falecida, de Nelson Rodrigues. Bia Lessa (Cartas
portuguesas, Orlando) cria soluções cenográficas originais e faz uma leitura
extremamente pessoal de textos clássicos. A cada dia, novos nomes brilham
no cenário teatral brasileiro. Os nomes que apresentamos aqui são apenas
alguns entre os muitos outros que atuam por este imenso Brasil. .(ao
topo)
|
|